domingo, 7 de fevereiro de 2010

Memória do Futebol Potiguar - Baraúnas


Antes de ser clube de futebol, o Baraunas era um bloco de carnaval em Mossoró. Tendo à frente, o Sr. Vicente Eufrásio, o bloco de rua do bairro Doze Anos costumava ganhar os mais importantes títulos. Naquele tempo, existia uma acirrada disputa entre o Salinista (Agremiação sediada no Bairro São José) - que também tinha um time de futebol - e o Baraúnas. Alguns integrantes do Barúnas decidiram levar também para os gramados a rivalidade que existia na Avenida. Até então as duas maiores forças do futebol local, eram o Salinista e o Potiguar.

O nome Baraúnas foi inspirado no cacique Baraúnas, líder da tribo Monxorós, que habitava na região.

Com a fundação do Esporte Clube Baraúnas, no dia 14 de Janeiro de 1960, tendo como berço a sede do Centro dos Artistas - Doze Anos, local dos grandes bailes carnavalescos do tricolor, onde hoje está o Edifício Francisco Heronildes da Silva. Por volta das 20:00 hs, lá estavam reunidos: Alberto Mendes de Freitas (Redator do Primeiro Estatuto do Clube), Expedito Mariano de Azevedo (Vereador Expedito Bolão), Jose Raimundo Nogueira (Zé Cabeça), Francisco Martins de Medeiros (Chico Geraldo), Francisco Noberto da Silva, Manoel Sebastião Fernandes Pedrosa, Manoel Marinho Guimarães, Raimundo Dan- tas(Rene) e Zoívo Barbosa de Menezes (Primeiro Treinador), que após defi nirem as metas iniciais, declararam fundada a mais nova agremiação esportista da terra de Santa Luzia.

Em 1966, o Esporte Clube Baraúnas muda sua razão social, para Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas. O Leão do Oeste teve grandes participações no estadual, pricnipalmente nos anos 80. Em 1987, o clube foi vice campeão do estado.

Os grandes jogadores que vestiram a camisa do Baraúnas dando muitas glórias e conquistas: Etevaldo, Cícero Ramalho, Neto, Batista, Walmir Preto, Xavier, Luciano Paraíba, Izaías, Nildo, Robinho, Índio, Maurício Pantera, Lourinho, Fausto, Nonato e Washington.



Conquistas

Criado em 1960, o Baraúnas não demorou muito para começar a levantar troféus. Venceu o Campeonato Mossoroense cinco vezes (1961, 1962, 1963, 1967 e 1977). Título importante, porém, só veio em 2004, quando o clube levantou a taça da Copa RN.

No ano seguinte, a agremiação ganhou projeção nacional após fazer uma bela campanha na Copa do Brasil de 2005. O time de Mossoró surpreendeu os especialistas e chegou às quartas-de-final do torneio, desbancando América-MG, Vitória-BA e Vasco.

Com a base criada após a Copa do Brasil, o Baraúnas conquistou o principal título da história do clube: o Campeonato Potiguar de 2006. Em duas finais emocionantes, que terminaram 0 a 0, o Baraúnas levou o troféu em cima de seu maior rival, o Potiguar de Mossoró, por ter feito a melhor campanha do campeonato.

No ano seguinte a glória, o Leão do Norte repetiu o feito de 2004, ficando com a taça da Copa RN de 2007.



Polêmicas

No ano de 2006, quando o Baraúnas já era campeão estadual, a Justiça Desportiva do Rio Grande do Norte reverteu o título do clube, graças a uma briga nos tribunais envolvendo ABC e ASSU.

Os dois clubes pleiteavam uma vaga na semifinal do Campeonato Potiguar daquele ano, vaga esta que acabou ficando com o ABC. Porém, este seria eliminado pelo Potiguar nas semifinais. O ASSU, por sua vez, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no Rio de Janeiro, e conseguiu anular as partidas disputadas pelo ABC nas semifinais. Entretanto, após disputa em campo com o Potiguar, o ASSU também foi eliminado.

Na decisão do campeonato, a qual fora repetida após a anulação das partidas, o Baraúnas bateu novamente o Potiguar e foi o campeão.

O Baraúnas foi eliminado da Copa do Brasil de 2007 por um erro da CBF. O Baraúnas havia eliminado o Vitória; entretanto, o STJD desclassificou o clube por ter supostamente utilizado um jogador não inscrito na competição.

Posteriormente, a CBF admitiu que seu departamento de registro havia cometido um equívoco, porém sem reaver a vaga conquistada pelo Baraúnas.


Fontes: Arquivodeclubes.com, Jornal Tribuna do Norte, Baraúnas Sítio Oficial, Sítio Fúria Jovem e Wikipedia

quinta-feira, 26 de março de 2009

Memória do Futebol Potiguar - Jorginho, mossoroense, artilheiro do ABC.


Jorginho ainda no primitivo estadinho Maria Lamas, em Petrópolis

Se em vez do distante 1946, o mossoroense Jorge Tavares chegasse hoje ao complexo “Maria Lamas Farache” e se apresentasse a um dirigente do clube pedindo uma oportunidade para mostrar suas qualidades técnicas, com certeza este desconfiaria das intenções daquele jovem de apenas 19 anos. É que Jorginho, além de franzino, media apenas 1,58m, além de um biotipo nada condizente com o de um atleta. Ombros não tanto largos para um candidato a futebolista profissional, pouca massa muscular, e pernas relativamente pequenas, que o ajudassem a pelo menos ter velocidade para ser um bom atacante. Mas, para sorte do jovem Jorge Tavares, além de revelar logo cedo vocação para craque, encontrou no ABC seu irmão João Tavares de Moraes, apelidado de Tidão, dois anos mais velho do que ele, já familiarizado no clube e, estranhamente, alguns centímetros mais alto do que o mano Jorginho.
Só que, aquele jovem que chegou para testes no ABC, com o tempo se tornaria um dos grandes ídolos da torcida abecedista, praticamente imperando no clube durante 20 anos. Um verdadeiro recorde de amor e dedicação ao clube, jamais tendo vestido outra camisa senão a do ABC, a não ser quando tentou vôos mais altos indo a Recife a chamado do Santa Cruz, e São Luís/MA, atuando também no Auto Esporte/PE, Sampaio Correa/MA. Numa época em que era comum emprestar jogador para jogos amistosos interestaduais, ele atuou três vezes pelo Santa Cruz de Natal.
O sucesso de Jorginho defendendo o ABC não se restringe apenas ao fato de ter jogado pelo Alvinegro durante duas décadas, mas também pelo homem-gol que sempre foi, registrando na sua longa carreira nada menos de duzentos e setenta e dois gols, apesar de atuar como homem de meio de campo, vestindo a camisa 10 alvinegra.
É justamente a figura do craque que sabia dar assistência a seus colegas com bolas verdadeiramente “açucaradas”, mas que também fazia muitos gols, que motivou a editoria de esportes da TN publicar a série de oito matérias focalizando os oito principais goleadores que vestiram as camisas do ABC, América, Alecrim, entre outros clubes.
Para se chegar ao total de jogos e gols de Jorginho, foi necessária a conferência nos jornais do Recife, de São Luis/MA, jornais de Natal, “O Mossoroense”, além do Arquivo Público de Pernambuco e Biblioteca Pública do Maranhão, lugares aonde o jogador atuou, levantamento feito pela equipe da TN e de um dos seus filhos, o professor Jorge Tavares de Moraes. É evidente que a maior quantidade de jogos e gols do ídolo norte-rio-grandense aconteceram em Natal, e o ABC FC, único do RN como jogador.
É evidente que,nesses quase 20 anos como ídolo abecedista, Jorginho participou de muitas goleadas, às quais ajudou a realizá-las ora como autor de gols, outras vezes dando assistência a seus colegas de equipe. Eis algumas dessas goleadas: em 1947 um sonoro 6x0 no Clube Atlético Potiguar e 5x1 no Juventus/RN, em 1948 7x2 no mesmo Juventus, em 1949 como atacante do Sampaio Correia participou da goleada sobre o Tupan por 8x1(fez três gols), em 1950 4x0 sobre o Alecrim FC, em 1951 ABC 9x1 Atlético de João Machado(fez um gol), no mesmo ano 7x0 no Riachuelo e ele deixou o seu, 8x0 também no mesmo Atlético, com Jorginho anotando quatro gols. Jogando pelo Auto Esporte/PE, na goleada sobre o Ibis, em 1952 ele participou e fez um gol. No ano de 1953, novamente no ABC, atuou na goleada diante do Atlético por 8x0 marcando quatro gols, e nos 7x2 sobre o Santa Cruz/Natal, fazendo dois gols.
Com uma equipe afinada e cheia de bons jogadores, o ABC não poupava os pequenos: em 1954, dforam muitas as goleadas: jogando pela seleção potiguar aplicou 5x3 no Piauí (seleção), com um gol de Jorginho, defendendo o ABC fez seis gols na goleada de 8x0 diante do Riachuelo, outra de 6x2 frente o Santa Cruz outro 6x2 em cima do Botafogo/PB, e – acreditem, 10 x 0 no chamado Atlético de João Machado (CAP), , porém sem gol do pequeno ídolo Jorginho. Mas, nem sempre o ABC aplicou goleada. Dia 14/08/54, o ABC foi goleado pelo Ceará SC por 6x3, Jorginho deixando o seu nas malhas alencarinas.
Parece até que os adversários não tinham sistema de jogo, tantas as goleadas a cada temporada, com escores raros hoje em dia. Em 1955, ABC 10 x 02 no Santa Cruz de Natal, Jorge deixando seu “carimbo” no Tricolor. Em 1955, outros 10 gols (10 x 0) em cima do , sem gol de Jorge. Finalmente, em 1955, seleção do RN 6x1 num time misto do ABC como preparativo para o Brasileiro de Seleções, Jorginho marcando dois gols. E assim continuaram acontecendo as goleadas, como ABC 7x0 no Rio Tinto/PB,7x1 no Alecrim FC. Em compensação, dia 05 de fevereiro de 1961, Sport Recife 9x0 ABC, na pior derrota fora de casa (Ilha do Retiro) sofrida pelo ABC em toda a sua existência de 93 anos. Jorginho participou dessa partida. Curiosamente, alguns dias antes o ABC havia empatado em 1x1 com o Fluminense do Rio, no “Juvenal Lamartine”. (Colaborou o pesquisador Newton Alves)


Conheça os 500 jogos de Jorginho ano a ano
Estreando no ABC dia 26 de outubro de 1946, há portanto exatos 62 anos, o mossoroense Jorginho despediu-se do seu clube do coração, dia 14 de fevereiro de 1965, 19 anos após a estréia. Ano a ano, eis as partidas em que o “professor Jorginho” esteve presente em campo atuando pelo ABC (a grande maioria dos 500 jogos), e também no Auto Esporte/PE, Sampaio Correia/MA, Santa Cruz/PE e Seleção do RN.
Vê-se, pois, que Jorginho teve o maior número de jogos nos anos 55/56 ambos com 48 partidas, seguido de 1959 quando disputou 44 jogos, em 60 foram 43 e em 63, já se aproximando das despedidas, chegou a participar de 41 jogos.
Em 1964 chegou a anunciar o adeus, mas acabou retornando em 65 e se despedindo dia 14 de fevereiro na vitória sobre o Alecrim FC por 3x1, porém não fez gol nessa partida. Jorginho não teve o famoso jogo do adeus, como os ídolos sempre merecem e realizam. Como nota curiosa, constatar que Jorginho enfrentou o rival América, 51 vezes, só não sendo o número maior porque o clube alvirrubro esteve licenciado da FNF, de 1959 a 65.

Fonte: Jornal Tribuna do Norte

quinta-feira, 19 de março de 2009

Memória do Futebol Potiguar - Times que se perderam no tempo


HISTÓRIA - O Riachuelo protagonizou muitos resultados surpreendentes até fechar as portas em 1994

Se um belo dia todos os ex-filiados à FNF resolvessem retornar às disputas do campeonato, mesmo que pelos caminhos oficiais da Segunda Divisão, a entidade não teria como promove-lo. Teria que administrar uma competição com nada menos de 45 associações. Nem as velhas ligas européias possuem tantos clubes. No caso do RN, houve clubes que marcaram suas passagens com uma ou duas participações, e depois sumiram para nunca mais voltar. Tantos anos depois, a grande maioria não tem qualquer marca que faça relembrar quando aqui atuaram. Nessa longa relação de velhos fantasmas é preciso que se frise que, na ânsia de participarem das primeiras competições alguns grupos formaram seus times (e não clubes). São os casos do PRC FC (estranhamente, com o nome de Partido Republicano Conservador), Serrano FC, Athletic EC, SC Natalense, Centro Esportivo Natalense, Humaitá, Baependi FC e Atlético FC. Todos eles sumiram rápido.


Escudo do Monte Castelo

Da longa relação de clubes que um dia participaram dos campeonatos promovidos pelas primitivas entidades, tais como a Associação Norte-rio-grandense de Esportes Atléticos (ANREA), Associação Riograndense de Atletismo (ARA) e Liga de Desportos Terrestres, até que aconteceu a Federação Norte-rio-grandense de Desportos, mais tarde mudando para Federação Norte-riograndense de Futebol, quando deixou de lado a promoção de Regatas e Tênis de Mesa, para dedicar-se especificamente ao futebol.


Escudo do Ferroviário

O futebol do RN somente ganmhou ceerta maioridade e seriedade quando associações inexpressivas como Baixa Verde EC, (com apenas três anos de atividades), Juventus FC, Centro Esportivo Natalense, Sport Club de Natal (depois, dedicou-se somente ao remo), Ceará Mirim FC, Paisandu EC (o primitivo, fundado em 1928 pelo paraense Pedro Pimenta), surgindo depois o segundo Paisandu, em 1934 e extinto em 1941, diante da onda formada pelos clubes contrários ao comportamento dessa agremiação.


Escudo do Asas

O futebol da capital ainda teria de conviver com associações que nada mais eram senão times e não clubes, pois nem sede própria possuíam. Geralmente utilizavam a residência de algum dirigente para guardar o material de jogo e fazer reuniões esporádicas. Se, hoje, ainda há “clubes” que não passariam na mais simples fiscalização, dá pra imaginar o que acontecia há 50/70 anos. Nessa onda, chegaram e sumiram o Juventus, Santa Cruz, Globo, Racing (passou apenas dois anos na 1° Divisão), Vênus FC, Monte Castelo (com apenas um ano de existência e um campeonato disputado), Asas EC, União SC, Fluminense de Dix Sept Rosado, Ferroviário, Potengi, Mossoró FC Desportiva do Vale, Caicó, A.D. Emserv, entre outros.


Escudo Sport Natal

Antes do Ministério dos Esportes e a própria CBF criarem uma regulamentação mais rigorosa, os clubes podiam disputar campeonatos quando bem entendessem, sem maiores exigência, senão um simples expediente comunicando o desejo de disputar. Houve casos de clubes (sic) que desistiram após a tabela já ter sido confeccionada e publicada na imprensa. É o caso, agora, do São Gonçalo FC, o último a desistir.


Escudo do Racing

É interessante frisar que, dos que um dia desistiram de continuar disputando os Estaduais, apenas um – o Santa Cruz, fundado em 1934 e licenciado em 1966, para nunca mais voltar. O Santa foi campeão em 1943, com esta formação:Varela, Zeno e Regalado, Zé Lins, Miranda e Acácio, Dão, Luizinho, Leiras, Piolho e Lazito, tendo como treinador o capitão do exército, Arthur Trita, derrotando ao América, na final, por 2x1, gols de Dão e Acácio. O ala esqueredo Acácio, era o pai do ex-zagueiro Hélio Lopes, que foi zagueiro e ídolo do EC Bahia.


Os demais clubes que debandaram não deixaram nenhuma marca, talvez um pouco o Globo SC, que chegou a decidir o campeonato de 1962 contra o ABC, mas foi impiedosamente goleado por 5x0.


Outro que está fora há vários anos – o Riachuelo, decidiu o título de 67 contra o América, mas perdeu a disputa com o empate de 1x1. Fundado em 1948, abandonou a federação em 1994.


O São Gonçalo, que esta oficializando a desistência, chegou a decidir o título de 2003 contra o América, mas perdeu a partida decisiva.

Fonte: Jornal Tribuna do Norte

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Memória do Futebol Potiguar - Alecrim


História

O Alecrim foi fundado no dia 15 de agosto de 1915, por um grupo de rapazes do bairro do Alecrim, que reuniam-se em frente à Igreja de São Pedro aos domingos. A reunião de fundação no clube ocorreu na residência do coronel Solon Andrade e estiveram presentes os seguintes fundadores: Lauro Medeiros, Pedro Dantas, Cel. Solon Andrade, José Firmino, Café Filho (Presidente da República 1954-1955 e ex-goleiro do alecrim), Lauro Medeiros, Humberto Medeiros, Gentil de Oliveira, José Tinôco, Juvenal Pimentel e Miguel Firmino. A idéia inicial que motivou a fundação do clube esmeraldino, tinha como objetivo principal, ajudar de forma filantrópica as crianças pobres do bairro que lhe deu origem.
A fundação do Alecrim foi realizada no sítio Vila Maria, de Cândido Medeiros, à rua General Fonseca e Silva. Lauro Cândido de Medeiros foi o primeiro presidente do clube, que tinha o futuro presidente da república do Brasil, João Café Filho, como seu primeiro goleiro. O primeiro jogo do Alecrim foi contra o time da Escola de Aprendizes Artífices, com a vitória do Alecrim.
Segundo alguns estudiosos do futebol potiguar, existem divergências quanto ao ano da fundação do Alecrim, posto que alguns documentos citam o ano de 1917 e não o de 1915, como tendo sido a real data de nascimento do clube esmeraldino. A edição de "O Poti” de 04/09/1983 cita categoricamente o ano de 1917, como sendo o ano da fundação do Alecrim. Discussões a parte, pouco tempo depois, em 1918, surgia o Centro Esportivo Natalense, fundado por Antônio Afonso Monteiro Chagas. Os senhores Henrique Castriciano e João Café Filho estavam presentes na reunião de fundação deste clube de vida efêmera. Este time era formado por marinheiros e oficiais lotados à época em três encouraçados que se encontravam fundeados no Porto de Natal devido à Primeira Guerra Mundial. Seu uniforme possuía camisa verde com faixa amarela e calção branco. Tinha muita torcida nos bairros da Cidade Alta e do Alecrim e foi o primeiro clube no estado a ter uma agremiação feminina de futebol. Durante algum tempo, o Centro Natalense absorveu os jogadores do Alecrim, que parara suas atividades neste período por falta de recursos financeiros.
O Centro Natalense se extinguiria em 1922, logo após a transferência do comandante Monteiro Chagas, que era da marinha. O Alecrim voltaria suas atividades no ano de 1923, coincidindo com a chegada a Natal de um sujeito chamado Alexandre Kruze, um pernambucano filho de alemães. Apaixonado pelo futebol, Kruze, além de rádio-telegrafista da Marinha, especializou-se em Educação Física e Desportos (Nomenclatura da época), e naquele ano, o jovem sargento Kruze era transferido para a Cidade do Sol. De uma maneira ou de outra, o cara conseguiu entrar no modesto time do Alecrim, e logo ocupou uma posição de destaque no alviverde. Falando constantemente em técnica e tática do futebol, Kruze motivou os dirigentes do clube a confiar-lhe uma nova missão: treinar o time do Alecrim. Deu no que deu. Em 1925 o Alecrim levantava o caneco de campeão de maneira invicta, fato inédito entre os clubes de futebol da cidade até então. Como naquela época o Alecrim era formado, basicamente, de negros e descendentes de índios, os caras do ABC e América, que eram times das elites do bairro do Tirol, ficaram putos da vida. No tapetão, o jeito foi dissolver a federação de futebol da época, pra que o campeonato fosse invalidado. Assim foi feito, é mole?

Da bolinha murcha ao tal do batendo um bolão

Os anos foram passando e o Alecrim seguiu jogando uma bolinha mais ou menos. 38 anos passaram até o segundo título, que veio em 1963, com o técnico Geléia, numa vitória contra o ABC (o ABC é considerado a 2ª força do futebol potiguar). Nessa época ainda não havia o “bicho” (grana recebida pela vitória). A grande regalia dos jogadores depois de ganhar algum jogo, era um copo de refresco de maracujá acompanhado de um pão doce. Coisa fina... No ano seguinte Geléia deixou o clube dando lugar a Pedro 40, que garantiu o bi-campeonato contra o mesmo adversário. O ABC passou dois anos sendo freguês do escrete alecrinense.

O meio oito na vida do Alecrim e a visita do Mané

Em 1968, outra façanha, outro chiste do Alecrim. O espírito do time de 1925 baixou no clube naquele ano, porque o esquadrão esmeraldino venceu o campeonato estadual de ponta a ponta. Mais uma vez, invicto! O quarto título do verdão contou com 10 jogos disputados. Sete vitórias, três empates e 24 bolas deixadas nos fundos das redes adversárias. Embalados pela conquista, nesse mesmo ano a torcida do Alecrim ganharia mais um presente. Num amistoso contra o Sport (PE), o gênio das pernas tortas, Mané Garrincha, vestiu a camisa 7 do clube alecrinense e fez a alegria da galera. Apesar da derrota por 1 a 0, aquele 04 de fevereiro ficou para sempre na história do Alecrim.

A Fera verde

A torcida organizada do clube é um caso a parte. Nascida das bebedeiras pelos bares da vida, os Fiéis Esmeraldinos Radicais – FERA - acompanham o time do Alecrim há mais de trinta anos. Mas verdade seja dita. Além das bacantes bebedeiras inspiradoras, a fundação da Fera teve seu pavio acesso, de fato, após um jogo do Corinthians e América no Campeonato Brasileiro de 1977. Um grupo de ‘alecrinenses’ estava naquele jogo e ficaram maravilhados com o verdadeiro show que os torcedores corinthianos promoveram no Machadão. Vieram da capital paulista os Mosqueteiros do Timão, os Gaviões da Fiel, Coração Corinthiano e a Camisa 12. A mistura foi essa: bar + cerveja + Corinthians = Fera. Na década de oitenta, um dos torcedores mais fanáticos que a FERA tinha, era um cego. Chico Araújo ia “ver” os jogos munido do seu radinho de pilha, não perdia uma única partida que fosse. Isso sem falar no berrô, no berrô que o Armando deu, outro que comungava verbalmente da liturgia alecrinense. Em dias de jogo, reza a lenda que o grito de “juiz ladrão” de Armando ecoava o Machadão inteiro. Vai saber né? É por essas e outras que o Alecrim F.C. é, sem dúvida, um dos times de futebol mais cheio de anedotas que apareceram na face da terra. De goleiro presidente á torcedor cego, até Garrinha tirou uma onda pelos gramados alecrinenses. É o mais autêntico clube do RN, já que tem as mesmas cores da bandeira do estado, foi criado no mesmo mês de Fundação do Rio Grande do Norte e tem o nome de um bairro de Natal. Vida longa ao escrete esmeraldino.

Curiosidades


Escudo usado até 2003

- O Alecrim teve em sua história um presidente do Brasil que vestiu a camisa do clube, Café Filho, que atuava como goleiro e inclusive participou da fundação do Alecrim.


- O Alecrim teve a honra que ter contado com Garrincha (o segundo na foto agachado) que por uma partida, que no dia 4 de fevereiro de 1968 jogou no Juvenal Lamartine com a camisa 7 do Alecrim num amistoso contra o Sport de Recife, que venceu por 1x0, gol de Duda. Público de mais de 6 mil pagantes, renda de Cr$ 21.980,00. Alecrim formou com Augusto, Pirangi, Gaspar, Cândido e Luizinho, Estorlando e João Paulo, Garrincha (Zezé), Icário, Capiba (Elson) e Burunga. Nesse amistoso, o Sport lançou, para testes, Garcia (RAC) e Evaldo (América), formando com Delcio, Baixa, Bibiu, Ticarlos e Altair, Valter e Soares, Bife, Cici, Duda (autor do gol) e Canhoto.


Títulos:

Campeão Estadual em 1925, 1963, 1964, 1968(invicto), 1985 e 1986.

Campeão do Torneio Início em 1926, 1933, 1947, 1949, 1953, 1961, 1965, 1966 e 1972.

Campeão da Taça Cidade do Natal em 1979, 1982 e 1986.

Campeão do Torneio Incentivo em 1976, 1977 e 1978.

Futuro

O Alecrim FC quer voltar a ser um clube de ponta no estado, ganhando títulos, o sonho de todos que torcem pelo Alecrim F. C. é o de construir um CT é administrar o antigo estádio JL (Juvenal Lamartine) em parceria com o poder público, restaurando-o.

Fonte: Site do Alecrim
Site História do Futebol no RN
Wikepedia
Nordestebol